28/08/2012 De menor morre soterrado em um silo de arroz em Araranguá-SC

Depois de quatro horas de muito trabalho, duas equipes do Corpo de Bombeiros conseguiram retirar de dentro de um silo de arroz o corpo de Wanderlei Cristóvão da Silva, de 17anos. Segundo informações do tenente Henrique, que comandou a operação, o fato foi comunicado ao Corpo de Bombeiros às 8h47min de ontem.

Ao chegar ao local, a central de armazenamento de arroz da Coopersulca, cooperativa de T...urvo, localizada na Sanga do Marco, interior de Araranguá, os socorristas receberam a informação de que um dos trabalhadores havia sofrido um acidente e caído dentro de um dos seis silos de armazenamento de grãos. De acordo com os colegas era possível ouvir os seus pedidos de socorro. Imediatamente os bombeiros militares iniciaram as buscas, mas já não escutaram sequer gemidos da vítima.

Com auxílio de funcionários da cooperativa, os socorristas iniciaram uma verdadeira corrida contra o tempo, na esperança de retirar o rapaz ainda com vida, mesmo que as chances fossem mínimas. À medida que as horas passavam, mais remotas ficavam as chances de sobrevivência do jovem. Segundo informações dos bombeiros, o silo com capacidade de armazenamento de 32 mil sacas de arroz pesando 50kg cada uma, estava carregado com aproximadamente 22mil sacas.

Diversas aberturas foram feitas nas laterais do silo, com o propósito de escoar os grãos e facilitar o trabalho de resgate. Cerca de 25 homens ajudaram os seis bombeiros que trabalharam na operação. Para tornar o trabalho mais ágil, foram usados ainda três tratores que ajudaram a espalhar o arroz que era despejado para fora do silo. Familiares de Wanderlei chegaram ao local por volta das 11h e acompanharam por quase duas horas o trabalho que só finalizou às 13h10min, quando os bombeiros conseguiram retirar o corpo que estava totalmente coberto pelos grãos. O Instituto Médico Legal recolheu o corpo e as polícias civil e militar também estiveram no local para fazer diligências.

De acordo com os bombeiros, o trabalhador não usava nenhum tipo de equipamento de proteção individual, nem o equipamento de proteção respiratória, que é obrigatório neste tipo de trabalho, o que pode ter facilitado a tragédia. Segundo o tenente Henrique, o gás exalado com a fermentação do arroz é altamente tóxico e pode provocar danos à saúde, inclusive desmaios.

A reportagem do Correio do Sul acompanhou toda a operação e tentou conversar com representantes da Coopersulca, que preferiram não se pronunciar sobre a tragédia. Ao serem indagados sobre o técnico responsável pela segurança de trabalho, e também sobre o fato de empregar menor de idade em função de risco, os representantes da cooperativa também preferiram se calar.

Os familiares que acompanharam a ação de resgate do corpo também fizeram silêncio sobre o caso. A irmã da vítima preferiu não ser identificada e também pediu para não falar com a imprensa. Segundo informações extra oficiais obtidas pela reportagem ainda no local, o garoto era diarista na cooperativa havia mais de 30 dias.

O corpo de Wanderlei Cristóvão da Silva foi encaminhado ao Instituto Médico Legal por volta das 13h15min, após mais de quatro horas soterrado embaixo de toneladas de arroz. Não bastasse a demora da retirada, a família enfrentou ainda o sofrimento com a burocracia. Apesar de ser reconhecido pela irmã, o jovem não possuía registro de nascimento e juridicamente não existe segundo a legislação brasileira. 'Sem certidão de nascimento, fica praticamente impossível expedir a certidão de óbito,' explicou o agente do IML de Araranguá. Até as 17h de ontem, o cadáver ainda permanecia no IML que tentava junto à delegacia e também ao Conselho Tutelar algum registro que pudesse identificar o rapaz.

Segundo informações dos familiares, os pais de Wanderlei encontram-se no Presídio Regional de Araranguá desde julho por tráfico de drogas, associação para o tráfico e ainda posse ilegal de arma de fogo. A prisão que ocorreu no dia 26 de julho, foi acompanhada pela reportagem do Correio do Sul e comandada pelo delegado Jorge Giraldi. Em uma pequena casa que pertence à família de agricultores, a Polícia Civil localizou uma barra de maconha de 350gramas, nove petecas de crack prontas para comercialização e ainda um revólver calibre 22, sem registro, municiado com sete cartuchos intactos.

A droga pertencia a Volnei Paiano da Silva, de 38 anos. A arma era de propriedade do filho dele, Valdinei Cristóvão da Silva, 18, que também foi preso em flagrante assim como a mãe, Terezinha Santina Cristóvão, de 37 anos.

Data: 28/08/2012
Fonte: Correio do Sul

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