15/04/2013 Intoxicação crônica causada por uso de agrotóxico sem proteção

Porto Velho/RO - Após 30 anos de uso de forma indevida - sem orientação ou assistência técnica - de agrotóxicos em sua lavoura, o agricultor Sebastião Barroso, de Cujubim Grande, comunidade distante 40 quilômetros de Porto Velho, descobriu há oito meses que a saúde está comprometida devido a uma intoxicação crônica. Barroso conta que sente dores em várias partes do corpo e mal consegue ficar em pé. A lavoura, que atualmente não recebe o mesmo cuidado de antes, está condenada. Com a cheia do Rio Madeira, a situação piorou.

O agricultor conta que saía de casa às 5h em uma voadeira - espécie de embarcação de pequeno porte - e seguia para o sítio onde cultivava melancia, milho e mandioca. Lá, diariamente Barroso fazia uso de 20 bombas de agrotóxico por um período de 10 horas, cada uma delas abastecia o veneno diluído em 20 litros de água.

Após oito meses e alguns exames, o agricultor descobriu que o uso indiscriminado dos agrotóxicos durante 30 anos ocasionou uma intoxicação crônica. Atualmente com 49 anos, o agricultor não imaginava que poderia adquirir um problema de saúde por não usar de forma correta os equipamentos de proteção individual durante a aplicação dos agrotóxicos em sua plantação.

'Tinha dias que eu passava 20 bombas, outros que eu passava só 18 bombas. Passava bastante mesmo para poder dar conta da lavoura, colher e sobreviver. A minha casa foi feita toda com o que eu ganhei com a plantação da lavoura', diz o agricultor.

Segundo o engenheiro agrônomo Roberto Santiago, o manejo correto do agrotóxico deve seguir três passos importantes; a receita agronômica deve ser emitida por profissionais habilitados, sejam agrônomos, engenheiros florestais ou técnicos agropecuários, que devem ir à propriedade para avaliar se há necessidade de aplicar o produto. 'Sendo assim, emite-se a receita e o próprio profissional deve orientar o produtor, que precisa fazer uso de equipamento de proteção específico, como bomba apropriada e máscara', explica Santiago.

Devido o estado de saúde comprometido, Barroso teve que deixar os cuidados com a lavoura. Antes rica e com frutos, a plantação está condenada, sem cuidados e tomada pela lama, já que com a cheia do Rio Madeira, parte da área está alagada.

A esposa do agricultor, Francineide de Souza, explica que Sebastião passa por tratamento médico e luta para conseguir a devida aposentadoria. 'Ele trabalhava muito, agora fica dependendo de várias pessoas, uns ajudam em alguma coisa, outros ajudam em outra e assim estamos vivendo', conta.

O engenheiro agrônomo alerta que para evitar os danos ao meio ambiente e contaminações é necessário seguir as orientações. 'Se fizer o uso correto do produto, a possibilidade de um agricultor contrair uma intoxicação diminui em torno de 95%', garante Roberto.

 

Data: 15/04/2013

Fonte: G1 RO

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